Slideshow

Curiosidades

E-mail Imprimir PDF

As passifloras, conhecidas como "Flores da Paixão", foram no passado muito apreciadas e celebradas como "as graças dos prados, brincos da natureza e devoção da piedade cristã". Por volta do início do século XVII, a primeira planta da América chegou a Roma, onde foi oferecida ao Papa Paulo V. Atribuem ao Padre Giovanni Battista Ferrari a paternidade do nome, "flor da paixão ou passiflora", o qual a classificou na sua obra De florum cultura, publicada em 1833.

Esta elegante trepadeira no Brasil é conhecida pelo nome indígena "maracujá". Maracujá, na língua tupi, quer dizer "alimento dentro da cuia". Não é provável que os feiticeiros ou pajés, conhecessem estas relações que os cristãos determinaram ao maracujá. O que se sabe, porém, é que certos pajés de algumas tribos, ao serem iniciados nas superstições, abstinham-se dos frutos do maracujá.

O cultivo como planta ornamental em casas de vegetação remonta desde sua introdução, na Europa, por volta de 1625, com as espécies Passiflora caerulea e P. incarnata. A planta foi enviada para o velho mundo envolvida na aura mística criada pelos jesuítas que a usavam para auxiliar na catequização dos índios como símbolo da Paixão de Cristo. As folhas trilobadas que representariam as lanças dos soldados e as 5 anteras eram símbolos das chagas de Cristo (Peixoto, 2005). É crença geral que o maracujá foi criado por Deus para perpetuar a lembrança do sacrifício do calvário. Esta flor de extraordinária beleza tem a singularidade de apresentar num simbolismo caprichoso da natureza, os principais instrumentos da Paixão de Cristo: coroa, açoites, cravos, chagas, etc. Segundo folclore popular nordestino, quando Jesus estava na cruz, seu sangue escorreu pela madeira e molhou o solo. No pé da cruz havia uma planta que nunca deu flor e não tinha nenhuma virtude. Quando o sangue molhou a planta, ela soltou um botão, o botão virou flor e a flor trazia todos os sinais da crucificação.

Por Dr. Léo Duc Haa Carson Schwartzhaupt da Conceição

Referências Bibliográficas:
Peixoto, M. 2005. Problemas e perspectivas do maracujá ornamental. In: Faleiro, F.G.; Junqueira, N.T.V.; Braga, M.F. (eds.). Maracujá: germoplasma e melhoramento genético. Planaltina, DF: Embrapa Cerrados, 2005. 456-464p.

Você está aqui: Passicultura | Curiosidades