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Propagação

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O Brasil figura como o maior produtor mundial de maracujá com uma produção de 330 mil toneladas, numa área de 33 mil hectares com o cultivo do maracujá-amarelo (Passiflora edulis f. flavicarpa Degener) em 95% dos plantios do país. A Bahia destaca-se como o estado de maior produção nacional com 77 mil toneladas, numa área de 7,8 mil hectares de maracujazeiro (Roncatto et al., 2005). Dentre as espécies mais cultivadas no Brasil e em toda América tropical, para a obtenção de frutos para consumo in natura ou para fins de industrialização destacam-se: P edulis f. flavicarpa, P edulis, P alata, P. quadrangularis, P macrocarpa, P caerulea e P. laurifolia. Mas a espécie P edulis f. flavicarpa destaca-se como a mais cultivada no Brasil (Silva et al., 2005).

Para se obter mudas de alta qualidade torna-se indispensável conhecer os métodos de propagação dessa cultura, com isso a busca por informações técnicas tem aumentado muito em virtude do interesse dos produtores na expansão dos seus pomares. O maracujazeiro pode ser propagado via sexual por sementes e assexuadamente por estaquia, e enxertia (Silva, 2005).

A propagação do maracujazeiro é feita quase que exclusivamente, em nível comercial, por sementes devido à facilidade de execução e simplicidade da infra-estrutura necessária no viveiro. No entanto a certificação quanto à origem das sementes usadas na propagação do maracujazeiro é de fundamental importância, sendo imprescindível o uso de plantas matrizes de qualidade comprovada. Desde 1999, o Instituto Agronômico (IAC-Campinas) vem fornecendo sementes de material selecionado de maracujá-amarelo que tem apresentado desempenho muito relevante nas diferentes regiões de cultivo do Brasil (Meletti et al., 2002).

Até o momento a propagação por meio de estaquia e enxertia não são muito utilizadas no Brasil, ao contrário do que ocorre em alguns países produtores como a África do Sul e Austrália que já propagam passifloras através da enxertia (Salomão, 2002).

A propagação vegetativa realizada através de métodos de enxertia e estaquia abre perspectivas promissoras para o cultivo do maracujazeiro no Brasil, principalmente considerando que a vida útil dessa cultura se reduziu nos últimos anos em decorrência dos problemas fitossanitários. Ela tem-se justificado, também, por ser comum a co-existência de plantas muito produtivas e de outras com baixa produtividade num mesmo pomar. Dessa forma plantas matrizes com características desejáveis poderão ser reproduzidas através de mudas obtidas por estacas enraizadas ou enxertia (São José, 1993), aumentando com isso a produtividade dos pomares e conferindo maior uniformidade às características das plantas e dos frutos (Salomão, 2002). Acrescenta ainda que as vantagens da muda obtida por estaquia ou por outro processo assexuado garantem a obtenção de plantas com estabilidade genética o que implicará em cultivares mais uniformes e homogêneas (Oliveira et al., 2002).  Entretanto, é importante ressaltar que o maracujazeiro é uma planta auto-incompatível e, por isso, no caso da propagação vegetativa, faz-se necessária à utilização de material de várias plantas, para viabilizar a produção de frutos (Silva et al., 2005).

Em um trabalho realizado recentemente (Junqueira et al., 2006) comparou os diferentes métodos de propagação e verificou que as plantas propagadas por estaquia e enxertia apresentam maior produtividade e maior resistência a doenças (viroses, bacteriose, fusariose e antracnose) em relação às plantas propagadas por meio de sementes. A literatura cita vários trabalhos referentes à propagação vegetativa do maracujazeiro principalmente aos estudos com enraizamento de estacas e enxertia, sendo a maioria deles realizados com a espécie P edulis f. flavicarpa tendo em vista o seu valor agronômico. No que se refere às passifloras silvestres a maioria dos estudos se destinam a utilizá-las como porta-enxerto por sua rusticidade e resistência a maioria das doenças que acometem o maracujazeiro (Salomão et. al.; 2002, Silva et al., 2005; Meletti et al.; 2002, Braga et al., 2006; Roncatto et al., 2005; São Jose et al., 1994; Almeida et al., 1991).

De maneira geral a maior parte dos estudos referentes à propagação do maracujazeiro são realizados com a espécie P. edulis f. flavicarpa em virtude do seu valor comercial, atrelado ao mercado dessa fruteira em plena expansão o que requer plantas mais produtivas e resistentes a doenças. Dessa forma os métodos de propagação assexuada tem uma melhor aplicabilidade.

Por Eileen Azevedo Santos

Referências Bibliográficas:

ALMEIDA, L.P.; BOARETTO, M.A.C.; SANTANA, R.G.; NASCIMENTO, G.M.; SOUZA, P.J.; SÃO JOSÉ, A.R. 1991. Estaquia e comportamento de maracujazeiros (Passiflora edulis Sims f. flavicarpa Deg.) propagados por vias sexual e vegetativa. Revista Brasileira de Fruticultura, 13: 153-156.

BRAGA, F.M.; SANTOS, E. C.; JUNQUEIRA, N.T.V.; SOUZA, A.A.T.C.;FALEIRO, F.G.; REZENDE, L.N. JUNQUEIRA, K.P. 2006. Enraizamento de estacas de três espécies de Passiflora. Revista Brasileira de Fruticultura v. 28, n. 2, p. 284-288.

JUNQUEIRA, N.T.V.; LAGE, A.C.; BRAGA, M.F.; PEIXOTO, J.R.; BORGES, T.A.; ANDRADE, S.R.M. 2006. Reação a Doenças e Produtividade de um clone de Maracujazeiro-Azedo propagado por Estaquia e Enxertia em estacas herbáceas de Passiflora Silvestre. Revista Brasileira de Fruticultura v. 28, n 1,p. 97-100.

MELETTI, L.M.M. 2002. Novas tecnologias melhoram a produção de mudas de maracujá. O Agronômico, Campinas, 54(1).

OLIVEIRA, J.B.; JUNQUEIRA, N.T.V.; PEIXOTO, J.R.; PEREIRA, A.V. 2002. Efeito dos substratos artificiais no enraizamento e no desenvolvimento de estacas de maracujazeiro-azedo (P. edulis Sims f. flavicarpa Deg). Revista Brasileira de Fruticultura, v. 24, n. 2 p. 505-508.

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SALOMÃO, L.C.C.; PEREIRA, W.E.; DUARTE, R.C.C.; SIQUEIRA, D.L. 2002. Estaquia e Comportamento de maracujazeiros Propagação por Estaquia dos Maracujazeiros Doce e Amarelo. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 24, n.1, p. 163-167.

SÃO JOSÉ, A.R.; ALMEIDA, L.P.; SANTANA, R.G.; SOUZA, P.J.S. 1993. Comportamento de Maracujazeiros Propagados por via Sexual e Vegetativa. Revista Brasileira de Fruticultura, v.15. n.1. p. 159-164.

SILVA, F.M.; CORRÊA, L.S.; BOLIANI, A. C.; SANTOS, P.C. 2005. Enxertia de mesa em P. edulis Sims f. flavicarpa Deg. sobre Passiflora alata Curtis, em ambiente de nebulização intermitente. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 27, n.1, p. 98-101.

 

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