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Doenças, pragas e controle

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Nematose em maracujazeiros

O primeiro relato da ocorrência de fitonematóides em Passiflora foi em 1927, na Austrália (Lordello e Monteiro, 1973). No Brasil foi em 1950, no Estado de São Paulo (Carvalho, 1950). Embora o Brasil seja um dos maiores produtores de maracujá-amarelo (Passiflora edulis f. flavicarpa Degenes), a produtividade é baixa, em torno de 10 a 11 t/ha/ano e pelas pesquisas poderia alcançar uma média de 30 a 35t/ha/ano. A vida útil da lavoura, que pode ser de até cinco anos, vem sendo reduzida principalmente devido aos danos causados por doenças (Oliveira et al., 1994). As regiões Nordeste e Sudeste são as maiores produtoras (Fischer et al., 2005).

A cultura do maracujazeiro é afetada por problemas fitossanitários, incluindo doenças que chegam a causar sérios prejuízos e até mesmo inviabilizar economicamente a cultura em algumas áreas (Fischer et al., 2005). A presença de doenças, com destaque para as infecções causadas por fitonematóides, têm contribuído para reduzir a vida útil da lavoura (Oliveira et al., 1994; Liberato, 2002).

São 70 espécies de fitonematóides em 26 gêneros atacando frutíferas no Brasil (Campos et al., 2002). Os fitonematóides relatados como mais prejudiciais à cultura do maracujazeiro são Meloidogyne spp. e Rotylenchulus reniformis (Freire, 2003; Campos et al.; 2002; Sharma et al., 2005). Outros fitonematóides que infetam o maracujazeiro, porém sem causar danos significativos, são M. javanica, Scutellonema sp., Helicotylenchus sp. e Pratylenchus sp. (Fischer et al., 2005). Estes microrganismos alimentam-se no sistema radicular, causam danos mecânicos, favorecem a penetração de fungos, bactérias e vírus; obstruem vasos condutores (xilema e, ou floema) dificultando, com isto, a absorção de nutrientes e de água; podem causar a morte das plantas (Tihohod, 1993) e, inclusive, causar quebra de resistência (Carneiro et al., 2006).

Os sintomas mais freqüentes nas plantas infectadas são: supressão do crescimento de raízes; nanismo e crescimento retardado das plantas; morte de ponteiros; galhas nas raízes no caso de ataque por Meloidogyne spp.; necrose, descoloração, manchas e enrolamento de folhas (Freitas et al., 2006);  queda de folhas;  murcha nas horas mais quentes do dia; sintomas de deficiência mineral e, em ataques mais severos não respondem a adubação. Os sintomas causados por R. reniformis são semelhantes aos causados por Meloidogyne spp., com exceção das galhas (Fischer et al., 2005).

A dispersão de fitonematóides por movimentação própria é pequena. Eles podem ser disseminados a grandes distâncias pelo homem, animais, solo contaminado, por material vegetal contaminado utilizados na propagação de plantas tais como sementes, mudas, rizomas, entre outros; implementos agrícolas; água de irrigação contaminada, enxurrada e vento. Mudas infestadas constituem-se no mais eficiente meio de disseminação (Lordello e Monteiro, 1973). Deve-se ter o máximo de cuidado com a qualidade da água a ser utilizada para irrigação em viveiro e no campo e o substrato utilizado para produção de mudas. Ferraz e Oliveira (1980) encontraram altas populações de M. incognita, Helicotylenchus sp., Trichodorus sp. e R. reniformis em raízes de mudas de maracujazeiro-doce, irrigadas com água de represa e poço artesiano.

O controle químico seria uma das medidas de controle, mas existem poucos estudos sobre a viabilidade técnica e econômica e não há até o momento, no Brasil, nematicidas registrados no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento para o maracujazeiro (Liberato, 2002; Freire, 2003). Uma das medidas de controle mais eficientes é a utilização de cultivares resistentes, quando disponíveis, e mudas sadias. De acordo com Liberato (2002) inicialmente, recomenda-se escolher área de plantio que não seja infestada e evitar a introdução de fitonematóides. Em áreas infestadas, a erradicação é praticamente impossível. Contudo, a exclusão é uma das principais medidas de controle. Além desta medida deve-se tratar o solo por meio de tratamento térmico com coletor solar para a formação de mudas; utilizar mudas sadias, não deve utilizar água de represas ou ribeirões que recebam restos de cultura; desinfetar equipamentos, ferramenta e máquinas agrícolas utilizadas em outros locais.

Por Dra. Arlete Silveira

Referências Bibliográficas:

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CARNEIRO, R.G.; MÔNACO, A.P. do A.; MORITZ, M.P.; NAKAMURA, K.C.; SHERER, A. Identificação de Meloidogyne mayaguensis em goiabeira e em plantas invasoras, em sol argiloso, no Estado do Paraná. Nematologia Brasileira, v.30, n.3, p.293-298, 2006.

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FISCHER, I.H.; KIMATI, H.; REZENDE, J.A.M. Doenças do maracujazeiro. In: KIMATI, H.; AMORIM, L.; REZENDE, J.A.M.; BERGAMIM FILHO, A.; CAMARGO, L.E.A. Manual de Fitopatologia: doenças de plantas cultivadas. v.2. 4ed. São Paulo: Agronômica Ceres, 2005, p.147-174.

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LIBERATO, J.R. Controle das doenças causadas por fungos, bactérias e nematóides em maracujazeiro. In. ZAMBOLIM, L., VALE, F.X.R. do, MONTEIRO, A.J.A., COSTA, H. Controle de doenças de plantas: fruteiras, v.2, Viçosa: UFV, Suprema Gráfica e Editora Ltda., 2002, p.755-811.

LORDELLO, L.G.E.; MONTEIRO, A.R. Nematóides parasitos do maracujazeiro. O Solo, v.65, n.2, p.17-19, 1973.

OLIVEIRA, J.C.; NAKAMURA, K.; MAURO, A.O.; CENTURION, M.A.P.C. Aspectos gerais do melhoramento do maracujazeiro. In: SÃO JOSÉ, A.R. (Ed.) Maracujá: produção e mercado. Vitória da Conquista, BA: UESB, 1994, p.27-37.

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TIHOHOD, D. Nematologia agrícola aplicada. Jaboticabal: FUNEP/UNESP, 1993. 372p.

 

 

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