Slideshow

Pontencial Ornamental

E-mail Imprimir PDF

As plantas ornamentais tropicais apresentam características extremamente favoráveis à comercialização, como o exotismo, beleza e variedade de cores e formas. Essas plantas são apreciadas em arranjos florais e nos jardins, devido à rusticidade e ao valor ornamental que apresentam, o que tem proporcionado um significativo aumento no consumo destas espécies no Brasil e no mundo.

Agora, as flores estão começando uma revolução no cenário agrícola nacional. O Brasil vem, a cada ano, aumentando a produção de flores ornamentais, e as exportações vêm obtendo marcas recordes. O clima e solos propícios, a rica variação de ecossistemas e a crescente busca de profissionalização, confirmam a vocação brasileira para a floricultura (Mosca et al., 2004).

As condições climáticas do Brasil proporcionam a produção de flores tropicais de excelente qualidade e com tonalidades mais vivas, além do que, muitas espécies são nativas. Nesse contexto, as flores tropicais se mostram como uma excelente oportunidade para o Brasil expandir suas fronteiras agrícolas e aumentar a capacidade geradora de emprego e renda no campo (Mosca et al., 2004).

A produção de flores e plantas ornamentais no Nordeste concentra-se, principalmente, nos estados de Pernambuco, Bahia, Ceará e Alagoas, ocupando áreas mais privilegiadas em termos climáticos e de oferta d’água (Brainer e Oliveira, 2006), abrangendo aproximadamente 1.766 produtores de flores e plantas ornamentais responsáveis por 180 ha. Em 2001 foi criado o Comitê Baiano de Floricultura e Plantas Ornamentais, integrado pelas associações de produtores, secretarias estaduais, Sebrae, instituições financeiras e de pesquisas. Em 2002 foi fundada a Associação Baiana de Produtores de Flores e Plantas Ornamentais (ASBAFLOR), com a missão de congregar produtores independentes, associações e empresas produtoras de todo o estado da Bahia. Em Ilhéus, a Associação dos Produtores de Flores Tropicais (FLORASULBA) conta com 60 associados que cultivam cerca de 40 ha de helicônias, alpínias, bastão do imperador, tapeinóquilo, antúrios e outras espécies.

Em três décadas, Passiflora saltou de um produto comercializado essencialmente in natura (década de 70) para uma alternativa agrícola. Hoje, as perspectivas para sua utilização foram ampliadas; a beleza e a estética de suas flores e folhas agregam valor ornamental à planta, que adicionado ao apelo comercial e associado ao significado da 'flor da paixão', embutem às passifloras a forte possibilidade de se transformarem numa próspera linha de desenvolvimento do agronegócio. Muitas espécies de Passiflora são apreciadas no mundo inteiro por seu valor ornamental, sendo suas sementes amplamente comercializadas, principalmente na América do Norte e no Continente Europeu. As flores das passifloras são consideradas exóticas e complexas, algumas de coloração forte e brilhante, outras de coloração suave e marcante devido, principalmente, à presença da corona, que caracteriza a família Passifloraceae. Igualmente fascinante é a ampla variedade de formatos de folhas dentro do gênero, tendo muitas espécies valor ornamental somente em função da folhagem. Outras características que inserem as passifloras na lista de plantas ornamentais são as flores vistosas, o número abundante de flores, o florescimento mais de uma vez ao ano, e a variabilidade de formas foliares (Souza e Pereira, 2003).

O uso das passifloras como plantas ornamentais é citado desde o século XIX e hoje tem se destacado em muitos países no mercado de mudas híbridas (Vanderplank, 2000; Ulmer e MacDougal, 2004), as quais são divulgadas mundialmente pela revista Passiflora (King, 2000). No Brasil, o potencial das passifloras para planta ornamental é praticamente inexplorado, embora sejam plantas de clima essencialmente tropical, não exigindo, assim, nenhuma prática mais onerosa como a construção de estufas especiais, como é feito em países de clima não tropical e que cultivam essas espécies. Há no Brasil mais de 120 espécies nativas, algumas inclusive endêmicas, porém plantas híbridas têm maior valor no mercado. O cruzamento entre espécies como P. alata, P. amethystina, P. antioquensis, P. caerulea, P. cincinnata, dentre outras, vem sendo utilizado em outros países para a criação de numerosos híbridos como P. x albo-nigra, P. x allardii, P. ‘Amethyst’, além de outros híbridos já comercializados e utilizados em estufas americanas e européias, como P. ‘Star of Bristol’, P. ‘Star of Kingston’ e P. ‘Sunburst’ (Vanderplank, 2000; Ulmer e MacDougal, 2004).

Pode-se dizer, com pequena margem de erro, que é virtualmente inexistente o uso no Brasil do maracujá com a finalidade exclusiva de ornamentação (Peixoto, 2005). Apesar de ser o principal centro de diversidade de Passiflora, o Brasil não tem explorado o potencial dessas espécies essencialmente tropicais no mercado de plantas ornamentais, por não existirem programas de hibridação específicos para essa finalidade, ou seja, que desenvolvam mudas híbridas que agreguem valores atraentes ao mercado de plantas ornamentais específico de cada região do país e aproveitando-se o germoplasma nativo.

Por Marcel Viana Pires

Referências Bibliográficas:

Brainer, M.S.C.P.; Oliveira, A.A.P. 2006. Perfil da floricultura no Nordeste Brasileiro. Fortaleza, XLIV Congresso da Sober, 20p.

Mosca, J.L.; Queiroz, M.B.; Almeida, A.S.; Cavalcante, R.A.; Alves, R.E. 2004. Helicônia: Descrição, colheita e pós-colheita. Fortaleza, Embrapa Agroindústria Tropical, 32p.

Peixoto, M. 2005. Problemas e perspectivas do maracujá ornamental. In: Faleiro, F.G.; Junqueira, N.T.V.; Braga, M.F. (eds.). Maracujá: germoplasma e melhoramento genético. Planaltina, DF: Embrapa Cerrados, 2005. 456-464p.

Souza, M.M.; Pereira, T.N.S. Passifloras como plantas ornamentais. Anais do XIV Congresso Brasileiro de Floricultura e Plantas Ornamentais e I Congresso Brasileiro de Cultura de Tecidos de Plantas. UFLA, p. 25, 2003.

Vanderplank, J. Passion flowers. 3ª ed. Cambridge: The MIT Press, 2000. 224p.

Ulmer, T.; Macdougal, J.M. Passiflora – Passionflowers of the world. Portland: Timber Press, 2004.

Você está aqui: Passicultura | Potencial ornamental